Brasil vira as costas para a África, fluxo de comércio despenca e China ocupa espaços deixado pelo país

A corrente de comércio (exportação+importação) entre o Brasil e a África vem registrando queda vertiginosa nos últimos anos e deverá fechar 2020 com forte retração, retornando ao patamar atingido nos primeiros anos deste século. Nos últimos anos o Brasil vem perdendo  espaço junto a importantes parceiros africano, como Nigéria e Angola e esse vácuo tem sido cada vez mais preenchido pela China, que há mais de dez anos se consolida como o maior parceiro comercial da grande maioria dos países africanos.

Com uma forte troca de bens e principalmente de serviços, a China utiliza os meios financeiros e tecnológicos disponibilizados pelo  megaprojeto “Um Cinturão, Uma Rota – A Nova Rota da Seda” para realizar maciços investimentos em obras estratégicas de infraestrutura em todo o continente africano, consolidando sua forte presença na região.

A  forte queda nas trocas comerciais entre o Brasil e a África será agravada ainda mais este ano, com a pandemia de Covid-19 que atinge duramente as economias brasileira e africana. De janeiro a maio, as exportações brasileiras para os países africanos caíram 39% para US$ 2,807 bilhões. E a retração nas exportações africanas foi ainda muito maior, despencando 33,7%, somando pouco mais de US$ 1,555 bilhão. Comparativamente com os cinco primeiros meses do ano passado, o volume de troca bilaterais apresentou um recuo de 17,1%, somando US$ 4,372 bilhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

A drástica queda do intercâmbio brasileiro-africano tem na Nigéria seu exemplo mais emblemático. No início dos anos 2000, a Nigéria figurava entre os maiores exportadores de petróleo para o Brasil e, em contrapartida, importava uma série de produtos brasileiros, automóveis inclusive. Em 2013, o comercio brasileiro-nigeriano viveu o seu auge e as exportações brasileiras totalizaram US$ 876 milhões (a cifra recorde nas exportações foi registrada em 2008, com US$ 1,534 bilhão), enquanto as vendas nigerianas atingiram o maior patamar da história do intercâmbio bilateral, com o montante recorde de US$ 9,648 bilhões. Nesse ano, o fluxo de comércio entre os dois países superou a cifra de US$ 10,5 bilhões.

Nos cinco primeiros meses de 2020, as exportações para a Nigéria tiveram uma pequena alta de 10,5% e somaram US$ 218 milhões, valor correspondente a inexpressivo 0,5% de  todas as exportações brasileiras no período. Em contrapartida, as vendas nigerianas ao Brasil recuaram 37,2%, com uma receita de US$ 250 milhões. Com esses números a Nigéria, que nos anos dourados do intercâmbio bilateral figurou no seleto grupo dos cinco principais parceiros comerciais do Brasil, ocupou a 47ª. posição no ranking das exportações brasileiras e na 44ª. posição na lista dos importadores brasileiros.

Angola, um país de expressão portuguesa e que teve o Brasil como primeiro país a reconhecer sua independência de Portugal, em novembro de 1975, é outro parceiro africano que viu reduzido drasticamente o comércio bilateral com o Brasil. Em 2008 foram registrados números recordes nas trocas entre os dois países, com exportações brasileiras no total de US$ 1,964 bilhão, e vendas angolanas no valor de US$ 2,231 bilhões. Naquele ano, o fluxo de comércio brasileiro-nigeriano totalizou US$ 4,195 bilhões.

Ano passado, onde anos depois, o  intercâmbio bilateral somou apenas US$ 585 milhões. Este ano, tudo indica que os números serão ainda menos expressivos. De janeiro a maio, as exportações brasileiras ficaram em torno de US$ 146 milhões e as venda angolanas somaram apenas US$ 99 milhões.


POR EQUIPE DO COMEX


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