Exportações da indústria gaúcha caem mais de 9%.

Se quatro segmentos registraram aumento nas exportações, por outro lado, 12 recuaram em abril, com mais intensidade no setor de alimentos (-15,9%), máquinas e equipamentos (-21,5%) e veículos (-31,7%). Apesar do recuo em alimentos pela primeira vez em 37 meses, todas as mercadorias do complexo da carne retomaram o crescimento nas exportações. A queda na produção de proteína animal na China causada pela peste suína pode indicar o início de uma recuperação do setor, aponta a Fiergs. Já as perdas sofridas por veículos e máquinas e equipamentos também são consequência do encolhimento do maior mercado comprador destes setores, a Argentina. Ao mesmo tempo, as importações do Estado, que alcançaram US$ 528 milhões, também caíram em abril, pela terceira vez consecutiva em 2019. A queda foi generalizada entre as grandes categorias: bens intermediários (-36,1%), bens de consumo (-47,7%), combustíveis e lubrificantes (-96,4%) e bens de capital (-4,4%). A redução de 45,3% nas compras de insumos industriais elaborados (-US$ 142 milhões), especialmente nafta para petroquímica, foi determinante para a baixa nas importações. De janeiro a abril, as exportações acumuladas da indústria gaúcha (US$ 5,5 bilhões) sofreram uma retração de 5,9% na comparação com o mesmo período de 2018. Desconsiderando o registro de plataformas de petróleo no âmbito Repetro, o setor secundário assinalou queda de 2,3%. Por sua vez, o montante importado pelo RS atingiu US$ 2,9 bilhões, decréscimo quadrimestral de 12,8% ante o mesmo período de 2018. Mudanças no registro de exportações distorcem o resultado As exportações totais do Rio Grande do Sul somaram US$ 1,1 bilhão em abril, recuo de 28,2% em relação ao mesmo período de 2018, assinalando a terceira queda consecutiva desde o início do ano. A diminuição do registro de vendas externas da soja (-63,9%) influenciou negativamente o resultado. Porém, boa parte da queda remete à implantação da Declaração Única de Exportação (DU-E) no portal do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Essa declaração permite o embarque antecipado de algumas mercadorias sem nota fiscal, proporcionando agilidade no processo de exportação. Contudo, a ausência das notas fiscais implica no registro de mercadorias de origem "Não Declarada", produzindo distorções no resultado mensal da balança comercial. As operações realizadas baseadas na Exportação por Meio de Declaração Única de Exportação (DU-E) apresentam um tempo médio de seis dias, entre o registro da declaração e o embarque da mercadoria, ante os 13 dias do antigo processo. Nos casos de embarque antecipado sem a nota fiscal, o exportador apresenta a nota em algum momento após o embarque (depois de recepção dos dados no sistema). Enquanto a exportação está sem nota, o sistema atribui o status de "Não Declarada" ao campo da Unidade da Federação (UF). Nos meses subsequentes, o valor exportado por essas operações é corrigido à medida que a NF é apresentada, normalizando os registros das balanças comerciais dos estados. Segundo levantamento realizado pela Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS, a estimativa é de que US$ 295 milhões em soja deixaram de ser registrados e agregados às exportações do Estado em abril de 2019. Historicamente, quase a totalidade da soja gaúcha tem sido embarcada pelo Porto de Rio Grande. Portanto, adicionando a soja "Não declarada" referente a esta Unidade da Receita Federal (URF), verificaríamos uma queda bem menor das exportações totais do Estado: 9,5%, ao invés da retração de 28,2%. 

Fonte: Fiergs   - Jornal do Comércio 


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